sábado, 5 de dezembro de 2015

INVESTIDURA DE NOVOS VOLUNTÁRIOS DO CVLAHSB

O Dia Mundial do Voluntário, que se comemora anualmente em 5 de Dezembro, foi assinalado pela Liga dos Amigos do Hospital se São Bernardo, em Setúbal, com a investidura de 27 novos voluntários do seu Corpo de Voluntariado.
A cerimónia decorreu na Sala de Reuniões do Hospital, que foi pequena para acolher quantos nela tomaram parte, bem como os convidados, familiares e amigos dos voluntários agora investidos, depois de um estágio de nove meses que se seguiu ao Curso de Formação frequentado no início do corrente ano.
A abrir, a Coordenadora do Corpo de Voluntários, Maria Eugénia Canito, assumiu a coordenação do evento, e dirigiu aos presentes palavras alusivas à data, que hoje se comemora, tendo passado à apresentação do Grupo Coral da LAHSB, sob a direcção de Paulo Tavares que interpretou diversos temas do seu reportório

Durante a actuação do Coral

Depois da actuação do Coral, foi projectado um vídeo alusivo à actividade do Corpo de Voluntários da Liga dos Amigos do Hospital de São Bernardo, constituído por uma sucessão de fotos, realizado pela voluntária Sónia Maria Rodrigues.
Assistindo ao vídeo
Chegou então, após a apresentação do vídeo, de se pronunciarem sobre a data, e o significado da Investidura dos novos Voluntários, as seguintes entidades: em representação do Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Setúbal, a cirurgiã Aurora Pinto; o Assistente Espiritual (capelão) do Hospital, Pe. João Rosa José; o Presidente da LAHSB, Cândido Teixeira; e o Presidente da Mesa da Assembleia Geral de Liga, Eugénio Fonseca. Todos os oradores se referiram ao Voluntariado em geral e, em particular, ao serviço que os voluntários prestam ao doente (e familiares deste), em complemento da prestação dos profissionais e auxiliares de Saúde, tendo em atenção as orientações desses mesmos profissionais sempre que tais orientações se tornem necessárias. A acção do Voluntário situa-se junto à fronteira que os profissionais geralmente não têm tempo para ultrapassar, dado que estão para além da especificidade das suas funções. Muitas vezes a necessidade maior do doente consiste, simplesmente, em ter quem lhe dê um pouco de atenção, e esteja com disponibilidade para ouvir os seus desabafos, numa conversa que fica apenas entre os dois dialogantes. O Voluntário, além do sigilo a que está obrigado, quando em serviço não tem cor, religião ou opções religiosas, políticas, ou de qualquer outra natureza pessoal. 








«Ser Voluntário é Dar Sem Esperar Receber».
Passou-se então à Investidura propriamente dita com a entrega das novas batas (riscas verticais amarelas e brancas, de 3mm de largura), e do documento de Compromisso, respectivamente pelo Presidente da Liga e pela Representante do Presidente do Conselho de Administração do Hospital de São Bernardo. O compromisso assumido é o seguinte:



Eu (nome), abracei o Corpo de Voluntários da Liga dos Amigos do Hospital de São Bernardo para nele desenvolver a minha acção em prol dos DOENTES.
Comprometo-me a realizar essas tarefas num espírito de missão, pela Palavra e pelo Serviço, e de acordo com o Regulamento que me foi entregue.



Depois de assumido o Compromisso, passou-se à bênção das novas batas, pelo Pe. João, da qual estavam dispensados os não católicos, sendo afirmado que havendo, em cerimónias idênticas futuras, voluntários de outra qualquer religião, tentar-se-ia convidar um sacerdote dessa religião para um acto equivalente ao que iria acontecer.


Foram, depois, despidas as batas com que os novos Voluntários estagiaram, sendo-lhes as novas vestidas pelas Madrinhas (ou pelos padrinhos) respectivas.



Por fim, cada novo Voluntário recebeu uma vela que acendeu na que a Coordenadora Maria Eugénia Canito lhe apresentou, e recebeu uma for (gerbera) das mãos da Voluntária Maria Júlia Cabral Adão.





Foi assim que decorreu a Investidura dos Novos Voluntários do CVLAHSB, num ambiente de Felicidade, Esperança e Espírito Solidário, bem espelhado no rosto da Coordenadora, na atura do encerramento.



Fotos de Paulo Miguel Eusébio.

Setúbal, 5 de Dezembro de 2015
Paulo Eusébio.

(Texto escrito com a grafia anterior ao acordo que, apesar de posto em vigor num Portugal orgulhosamente só, nunca aconteceu)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Eu voto!... E você?

  Aí estão as eleições, cada vez menos livres, mas ainda rotuladas de democráticas. Menos livres porque enquanto os partidos do “arco da governação” têm ocupado horas e horas de informação, desde há meses, os outros, com assento parlamentar, têm tido um espaço muito menor.
  Às portas da campanha, a auscultação que se fez do que pensam “os maiores partidos” teve a forma de debate transmitido, simultaneamente, nos três canais televisivos (a RTP2 ficou de fora) e nas rádios de maior audiência nacional. Os “debates” em que intervieram os outros partidos com assento parlamentar, foram atirados para estações em sinal aberto mas acessível, apenas por quem tenha contrato com uma operadora de “cabo”. Dos restantes, em estações de menor audiência, RTP2 incluída, passaram entrevistas, ou debates com gente das diversas candidaturas,
   Num processo democrático, seria de esperar que, durante a Campanha, todas as candidaturas tivessem tratamento igual, pelos órgãos de Comunicação Social. Está à vista de todos esta “igualdade”!
   Gastam-se horas e horas com os algozes, agora transformados em fadas-madrinhas, a cantarem desafinados e a berrarem que, sem eles, estará tudo perdido e com saltitões, de armas no bolso que disparam e atingem os próprios pés,
   Para muitas pessoas, as eleições vão ser disputadas, com hipótese de formar o futuro Governo, entre o PàF (que nome sugestivo!) e o PS. E, como se não bastasse, parecem ignorar que o PàF esconde em si os obreiros da miséria em que o País foi mergulhado.
Só a informação isenta, e a igualdade de tratamento, legal e de facto, permitem a escolha livre eleitores.
 A informação tem sido distorcida ou omitida pelos disciplinados órgãos de Comunicação Social, ao serviço das forças financeiras que sustentam este Governo.
Sonegar informação é limitar e Liberdade!

   Outra novidade desta campanha são as sondagens diárias que, mais se assemelham a encomendas despachadas à pressa, como se o “sondador” morasse num prédio de14 ou 15 pisos e, ao sair de casa, chegado à porta da rua, tocasse sequencialmente a todas as campainhas, e, à pessoa que o atendesse em cada um dos apartamentos lançasse a mesma frase: “Bom dia, Vizinho, sou o Ezequiel, do 14.º, frente. Se as eleições fossem agora em quem votava?”. Posto isto multiplicava por dez o número de apartamentos do prédio e somava as respostas de intenção de voto em cada candidatura, tendo o cuidado de incluir os que não atendessem do lado direito, no PàF, no lado esquerdo, no PS e, na frente, nos indecisos: para dar mais credibilidade, faria corresponder o somatório disto tudo a 80%. Os 20% serviriam para apresentar como abstenção. O resultado da sondagem diária, dependeria, de quem respondesse em cada dia, à campainhada. Margem de segurança atribuída, 2,5%.
  Não afiançando que seja este o método usado, não levaria a resultados muito diferentes dos apresentados diariamente na Comunicação Social. Este embuste atrai um enxame de moscas, perdão!, de comentadores que passam horas a comentar esta ficção como se de realidade se tratasse.
   A quem interessa isto e porquê?
Interessa, antes de mais, a quem julga ter no eleitorado uma parte manipulável que acima de tudo, gosta de estar em maioria, como, “Maria-vai-com-as-outras.”. Interessa também a quem conte com a atitude dos fracos, vencidos antecipados, que pensam: “eles já ganharam, o meu voto não serve para nada. Não vou lá!”.
   Interessa lhes porque diminui o voto nas candidaturas menos conhecidas que os dois parceiros da coligação, com a passividade de outros, que deviam denunciar a situação em vez de a ela se acomodarem, tudo fizeram para esconder essas candidaturas, o que me leva a pensar, que vai ficar fora do Parlamento, gente muito mais capaz que a média dos que vão lá sentar-se.

  Porque há gente capaz nos “pequenos partidos” (designação abusiva, arrogante e prepotente posta a correr pelos que nos conduziram à situação miserável em que estamos!), tenho em quem votar.
   Sou livre de expressar a minha fé no futuro de Portugal!
   Sou livre de votar em quem julgo que melhores garantias de futuro nos dá!
   Sou livre de indicar, votando o futuro, que quero para os meus netos!
   O voto útil é o voto livre!

   Eu voto! E você?

Setúbal, 29 de Setembro de 2015

Paulo Eusébio


terça-feira, 22 de setembro de 2015

LIVRE - Angariação de Fundos

Caríssimos Amigos.

As minhas cordiais saudações a todos vós.

Como sabemos, uma das grandes dificuldades de qualquer força política que não seja representada no Parlamento, é chegar aos Eleitores. 
Num sistema cuja comunicação social, incluindo os meios pagos por todos nós, se revela impermeável aos que não se conformam com a desgraça e derrocada social para que fomos empurrados, salvo no que uma Lei feita por medida, e sucessivamente reajustada, por interpretações dos que mais beneficiam com o sistema, impõe, a única maneira de "dar a volta" é o contacto directo com os cidadãos eleitores.
 O LIVRE, partido, que conseguiu eleger um deputado para o Parlamento Europeu,propondo-se agora eleger um grupo nas Legislativas, não para dizer o que está mal, o que qualquer pessoa faz, mas para apresentar soluções inadiáveis, para recuperarmos a dignidade das pessoas e a sua segurança, económica, social e sanitária. 
Embora recebido com simpatia e entusiasmo, por muitos dos que que são contactados individualmente, nas acções de rua, em todo o Território Nacional, o LIVRE está em campanha, com escassos meios, assegurados por subscritores - entre os quais me conto com muita honra - e simpatizantes, cheios de boa-vontade, lutando com as dificuldades naturais de quem não recebeu um cêntimo do Estado e, se vier a receber, será de acordo com os votos em nós depositados.
Não me alongando mais, deixo-vos a ligação pela qual podereis acompanhar-nos:  http://tempodeavancar.net/ 
Se dispõem de Facebook, a ligação distrital é esta: https://www.facebook.com/LTDA.Setubal?fref=ts
Um pedido final: se puderem, ajude-nos, mesmo que vos pareça pouco... quem dá o que pode...
Transcrevo sobre a maneira de doar:

"Caros,
Precisamos do vosso esforço! É hora de procurarmos, nos nossos distritos, quem possa ajudar financeiramente esta campanha.
Passem o sos: precisamos de fundos urgentemente. A conta é esta:
1. Doação geral para o partido político LIVRE
Vamos lá!"
Agradece-se a quem possa contribuir ou divulgar o pedido.
Luís Figueiredo
MONTEPIO GERAL
NIB: 0036 0265 9910 0022 8797 0
IBAN: PT50 0036 0265 9910 0022 8797 0
BIC: MPIOPTPL
DESCRITIVO: donativo partido LIVRE


Se quiserem visitar a nossa Sede Distrital de Campanha na Av Luísa Todi, 292, em Setúbal, onde teremos enorme prazer de vos receber.

Grato por terem lido esta mensagem a todos desejo u futuro melhor.
Saudações Livres

Setúbal, 22 de Setembro de 2015
Paulo Machete Eusébio




segunda-feira, 1 de junho de 2015

DIA DA CRIANÇA

   Neste Dia da Criança, lembremos os milhões de crianças que sofrem em todo o Mundo: fome de alimentos e de Amor, sevícias e maus tratos, carência de vestuário e abrigo, abusos de toda a ordem e escravatura, e todo um rol de desgraças a que ninguém deveria estar sujeito.
   Ao permitirmos, a cada momento, que isso aconteça, ajudamos a matar à nascença o futuro da Humanidade. Não pode, só por si, ninguém resolver um problema que é universal, mas pode, cada um de nós, estar atento e denunciar o que ocorre na zona restrita abrangida pelo seu conhecimento. Façamos de cada dia da nossa vida, um dia da Criança.
   Estejamos atentos! 

Mesmo quando brinca, aparentemente sozinha, a criança deve estar vigiada.

  O Instituto de apoio à criança disponibiliza a linha telefónica gratuita 116111 nos dias úteis das 9 horas à 19, para o qual, qualquer pessoa que tenha conhecimento de qualquer acto lesivo da integridade física e moral de crianças, pode e deve ligar e relatar o motivo que a levou a fazer a chamada.
Pode e deve, sempre que presencie ou tenha conhecimento de qualquer ocorrência lesiva de uma ou mais crianças, ligar para a autoridade policial competente.

   O Futuro do Mundo está nas nossas mãos, se não as deixarmos esquecidas nos bolsos, e todos fizermos o pouco que a cada um compete, conseguiremos inverter rumos trágicos, por mais difícil que a tarefa possa parecer!

     Este texto segue a ortografia correcta do Português Europeu, por o autor não aceitar os erros deliberadamente introduzidos, mantidos e pretensamente obrigatórios pelos políticos que, não sabendo que fazer na sua actividade que deveria ser normal, tomam decisões que só revelam a sua absoluta ignorância sobre matérias que não são da sua competência.


Setúbal, 1 de Junho de 2015.

Paulo Eusébio


sábado, 2 de maio de 2015

MEMORIA DEGRADADA

Hoje estive no Parque Urbano da Albarquel, onde me desloco frequentemente. É um lugar aprazível com magnífico panorama, constituído por parte de uma das mais belas baías do Mundo.
Como pode ver-se, a vegetação bota das paredes como se estas fossem pedaços de terreno.
Olhei para cima e lembrei-me duma publicação que uma amiga fez, há dias no Facebook, sobre o fecho da Pousada de São Filipe, que, durante décadas, funcionou numa área integrada na Fortaleza, por falta de segurança, dado o estado de degradação a que todo o conjunto chegou.

Outro ângulo, a mesma situação.
Como levava a máquina fotográfica, registei, o que “a olho nu” não é perceptível, mas que confirma o que escrevi em 28 de Maio de 2012 neste blogue, depois de uma visita ao local, ilustrado com fotografias, então obtidas.
Não há dinheiro? Quem disse?
De corridos quase três anos sobre aquela data, não foi feita qualquer beneficiação na Fortaleza, aumentou o risco de ruína total e perdeu-se mais uma unidade hoteleira, a somar a outra que fechou no passado mês de Abril, o Hotel Isidro.
Até pinheiros crescem nos muros!
O que mais dói é ver degradar e desaparecer o nosso Património Histórico, com duas situações paralelas: “passa culpas” de entidade para entidade, quando toca a prejuízos, pois há frequentemente conflitos legislativos que (propositadamente (?)) deixam pouco claras as entidades responsáveis em cada caso; e “falta de dinheiro” para a intervenções necessárias.
Há muito dinheiro, cofres cheios, desviado para fins ilegítimos, se bem que legais.
Esta última é de bradar aos céus! Tem havido dinheiro para cobrir todas as fraudes cometidas em diversos bancos, centenas de milhões de euros, deixando os “clientes e arder”, mas garantindo aos banqueiros a salvação das suas empresas, sem o Estado, ter poderes para os espoliar de todo o Património presumivelmente por eles adquirido, ainda que postos em titularidade de terceiros, e metendo-os nas prisão, até terem feito regressar ao País, até ao último cêntimo o dinheiro que tenham colocado offshore, sem prejuízo das penas pelos crimes cometidos, que só começariam a contagem do tempo respectivo após o regresso de dinheiros acima referido. Os citados bens responderiam, em primeiro lugar, pelos depósitos, e, depois, pelos restantes prejuízos. E não me venham falar de direitos humanos de quem não respeita os direitos da cada cidadão, ao trabalho com salário justo, ao património acumulado ao longo de anos de trabalho honesto e às reformas amealhadas durante toda um vida, e saqueadas pelo Estado, para cobrir os roubos de certos Senhores de Banca”, e não só...


 Setúbal, 2 de Maio de 2015

Paulo Eusébio






quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

RIGOR À PORTUGUESA NOS CTT


O carteiro bate à porta, trazendo um registo, mas não é atendido. Deixa um aviso, donde constam, além de outras, as seguintes indicações: a data e hora em não foi atendido, a natureza do objecto registado, o remetente, o destinatário, a data e a hora a partir das quais pode ser levantado e a indicação estação dos CTT onde o objecto poderá ser levantado.
Não sendo possível ao destinatário deslocar-se à estação indicada, pede a um familiar que o faça, deixando com este o aviso, com a sua assinatura e uma fotocópia do Cartão do Cidadão. Para qualquer pessoa poderá parecer que não existe qualquer problema com o levantamento do objecto (carta, encomenda, etc.). Mas há!
Chegado ao balcão do Correio, o funcionário atendedor informa que só pode fazer a entrega em presença do original do Cartão do Cidadão ou do BI de destinatário. À alegação de que o original do Cartão (ou BI), tem de acompanhar o cidadão, por preceito legal, e, por maioria de razão, porque o destinatário do aviso, trabalha noutra localidade, deslocando-se para o trabalho em viatura própria, e o Cartão (ou BI) tem de acompanhar a restante documentação, de que, quem conduz, tem de ser obrigatoriamente portador, o atendedor responde: se o senhor Fulano, tem posto de trabalho em local fixo basta ligar para o n.º 707 26 26 26 e pedir o reencaminho do objecto para a morada do emprego.
Só mais uma pergunta: além do preço da chamada, para o prefixo 707, esse pedido implica custos? Dois euros e oitenta cêntimos, responde o funcionário.
Ficámos esclarecidos: os CTT estão-se borrifando para a segurança na entrega do registo. Qualquer pessoa que estivesse em casa à hora em que o carteiro se apresentou, poderia ter assinado a recepção, apresentando a sua identificação, o que não provaria que o objecto chegaria à posse do destinatário, mas criando apenas a presunção de que tal teria acontecido. Se a fotocópia não serve para provar que a assinatura é de destinatário, o original, exibido por outrem, prova que o cartão não foi roubado e a assinatura imitada?
Cá para mim, a exigência da apresentação do cartão tem uma finalidade: se o destinatário não pode deslocar-se à sua estação, sempre há a hipótese de uma cobrança extra de acordo com a tabela:

Tipo Objeto (1)
Destino
Preço (1)
Correspondência
Nova Loja CTT
1,40 €

Nova Morada
1,90 €
Encomenda
Nova Loja CTT
2,30 €

Nova Morada
2,80 €
Preços sujeitos a aplicação de IVA à taxa legal em vigor.
 Preço por objeto.
(1)

(1)    O erro ortográfico é da responsabilidade dos CTT

Setúbal, 29 de Janeiro de 2015

Paulo Eusébio



quarta-feira, 2 de julho de 2014

O TRABALHO E A REVOLTA, por Isabel do Carmo



Trago-vos hoje um texto excelente, de uma mulher de que tenho a honra e o orgulho de ser amigo, desde as "carteiras" do Liceu Nacional de Setúbal. Sofreu na pele os reflexos da sua recusa aos princípios impostos por Salazar e seus capangas e, depois, da sua luta contra os que tentavam (e acabaram por conseguir!) retomar os seus privilégios que passavam (e passam!) pelo regresso dos trabalhadores à situação de proletariado, empurrados para transporem a porta encimada por uma tabuleta onde se lê: A VOSSA ESPERANÇA ACABA AQUI. O VOSSO ÚNICO DIREITO, A PARTIR DESTA ENTRADA, É O DE VEGETARDES, ENQUANTO TIVERDES ALGUMA UTILIDADE.
(Publicado em “AS MINHAS LEITURAS”)
Obrigado, Isabel do Carmo!


TRABALHO E A REVOLTA



25 de Junho de 2014 · por  · em 
(Este texto foi escrito e lido por Isabel do Carmo, integrado na performance sobre o esforço realizada pelo grupo Visões Úteis, no Festival Serralves em Festa, a 24 de Maio de 2014, no Porto. Integraram ainda esta performance Conceição Martins, operária da cortiça, Alexandre Viegas, operário da construção civil, António Fonseca, actor, o Grupo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto, João Palinhos, Kendoca, Ester Alves, maratonista e Inês de Carvalho, artista visual.)
O trabalho é diferente da acção humana.
A acção humana é tudo o que vai pela mão e além da mão. É tudo o que o cérebro pode criar, imaginar e depois realizar. É o sonho feito prática. É pensar e depois criar.
O trabalho também pode ser um projecto.
Mas o trabalho é sobretudo e para quase todos para comer.
Foi o trabalho para caçar, para colher. Para inventar pedras pontiagudas. Setas. Mas algumas marcadas por desenhos que vejo na minha cabeça. Eu sou criador.
Aprender a trabalhar a terra. Sol a sol. Até à exaustão. Produzir para trocar. O meu trigo, o teu linho. Produzir para vender. Para pagar a terra, que já não é a minha. Ser escravo. Até à exaustão. O chicote.
Até que vendo o meu trabalho.
Não trabalho para os meus alimentos.
Trabalho para vender o meu trabalho. Para sobreviver. Trabalho até à exaustão. Pagam-me. O patrão sabe que se eu comer posso trabalhar. Comer alguma coisa. O mínimo. Se for mais velho já posso morrer. A minha mulher também tem de comer. O mínimo. E as crianças, as que vivem, têm que comer. O mínimo. E cedo vão começar a trabalhar.
Flora Tristan correu a França e descreveu-os. Corriam os anos 30 e 40 do século XIX. Viu-os nas fábricas da seda de Lyon. Foi a casa deles. Viu as camisas lavadas de um dia para o outro. Esfiapadas. Les canuts, trabalhadores da seda, cantou o Ives Montand. Flora viu-os nos altos fornos em Londres. E as crianças das ruas escuras. “Não será o raquitismo uma doença hereditária? “Diziam alguns sábios. Foi a classe operária inglesa que lutou pelo weekend. Quando já havia muitas máquinas. É uma regalia, dizem os sábios.
Um século de revoltas, greves, lutas, utopias. Um século a sonhar com o futuro. Consigo encurtar as horas do dia. Mas nos campos as horas são as horas do dia. De sol a sol. Pão e azeitonas. E vinho. O vinho dá-me força e alegria. Suporto. Canto. Se fazes greve és despedido no “balão”.
Mais quase outro século a sonhar com o futuro. Trabalhar só 8 horas. Tirar meio fim-de-semana. Tirar o fim-de-semana. Muitas lutas. Muitos mortos. Vale a pena? Vale a pena. Sonhar com o futuro. Amanhã “o sol brilhará para todos nós”.
O sol não brilhou muito. Brilhou um pouco. Houve liberdade e greves e lutas. Houve dignidade. Sou um homem, trabalho com as mãos. Sou uma mulher, trabalho com as mãos. Sou eu. Igual a ti. A minha casta? Trago-a escondida no fundo da minha memória.
E falo da minha memória: passávamos fome, não tínhamos sapatos. Era uma vergonha. Muito pequena fui para a costura. Fui para criada. Apanhava. Fui aprendiz de sapateiro. Fui para a fábrica.
Agora este fundo da memória vem ao de cima. Com raiva.
São 700.000, 1 milhão de desempregados. 300.000 vivem de nada. Viverão de nada. Para eles já não vai haver amanhã. Nem esperança. Nem ilusão. 2 milhões pensam todos os dias como é que hão-de pagar a casa. Como é que hão-de comer. E o leite para os filhos. Eu vendo o trabalho pelo preço que quiserem. Estou à venda. Aqui. Sou simpático. Faço qualquer coisa. Tenho jeito para tudo. Trabalho as horas que quiser. Logo me arranjo. Sou mulher, posso pôr as crianças na creche, logo de manhãzinha. Tomo o transporte, mesmo apertado. Levo lancheira. Saio tarde. Vou buscar as crianças. Dou-lhes banho. Comem. Oxalá durmam cedo. Faço a comida. Adormeço em frente da televisão. Durmo pouco. É levantar. Trabalhar. Trabalhar. Até à exaustão.
Um dia vamos trabalhar só 4 horas. Porque as máquinas já trabalham por nós. Não haverá desemprego. Teremos tempo para as crianças, para namorar, para criar, para jogar.
Um dia. Depois da luta que há-de vir.
Por Isabel do Carmo
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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Audi… toria

CARTA ABERTA A SUA EXCELÊNCIA, A MINISTRA DAS FINANÇAS


Excelentíssima Senhora Ministra das Finanças

Excelência:

Antes de mais, seja-me permitido, para melhor explanação do assunto que trago à consideração de Vossa Excelência, que recue no tempo, e me situe na Feira Popular de Lisboa, nos anos da minha juventude.
A Feira Popular era um certame vocacionado para a diversão, com áreas de restauração, divertimento e comércio variado. Nesta, situemo-nos em frente a uma das barracas que sorteavam conjuntos de panelas e de tachos, geralmente de alumínio.
Profusamente iluminadas com a loiça alinhada em prateleiras, essas barracas dispunham de um animador/comerciante que, numa linguagem viva, servida por um sistema sonoro forte, convidava as pessoas a comprarem os pequenos bilhetes numerados que habilitavam ao sorteio. Vendida uma série de bilhetes, passava-se ao sorteio, por meio dum disco de eixo horizontal, com sectores numerados, em número igual ao dos bilhetes emitidos por série. Havia um ponteiro fixo que indicava, quando o disco parava, o número correspondente ao da senha premiada.
Seria impensável, nessa altura, que cerca de sessenta anos depois, quando a Feira Popular não passa de uma grata e doce recordação, o Ministério que Vossa Excelência ministra tão brilhantemente viesse a tomar a feliz iniciativa, de repor, adaptados aos tempos hodiernos, os sorteios das panelas, para grande alegria do povo. Os tachos, dada a falta de stock existente, estão fora do sorteio, pois, à medida que são fabricados, muitos por encomenda e por medida, são entregues à clientela habitual, e os conjuntos antigos de panelas a sortear deram lugar a uma só, por cada sorteio. Trata-se de panela modelo “SCAPE”, com a inovação de trazer agarrado um automóvel. Não um carro pindérico igual aos da montra de O Preço Certo, mas um verdadeiro topo de gama, digno de quem está habituado a viver acima das suas possibilidades.
Outra inovação foi a da venda de senhas ter sido substituída por cupões, emitidos e distribuídos pelos concorrentes, em  quantidade calculada automaticamente, que para se habilitarem apenas têm de exigir a inclusão do seu Número de Identificação Fiscal (NIF), nas facturas relativas às despesas que fazem.
Finalmente, o sorteio deixou de contar com o animador/comerciante, e passou a ser transmitido para todo o País, e apresentado por uma conhecida cara da Televisão Pública, no seu canal principal, a que todos os concorrentes, e não concorrentes, podem assistir há hora do jantar, enquanto (os que ainda se podem dar a esse luxo…) jantam.

Chegado a este ponto, quero declarar a Vossa Excelência que, se não posso optar pelo valor do carro à saída de stand, deduzido o montante respeitante aos impostos; se não o posso vender, sortear ou rifar; se Vossa Excelência não me isenta do Imposto Único de Circulação, nem me subsidia a manutenção “deste magnífico automóvel”; eu prescindo do mesmo, pois não me considerando uma pessoa de sorte acima da média, e sendo um bom cliente das farmácias, onde nem me perguntam se quero ou não, a inclusão do NIF, corro o risco de ser contemplado com um dos Audi. A cresce que o FIAT Punto de 1995 ainda está ali para as curvas, paga menos impostos e tem uma manutenção relativamente barata, pormenores que interessam a quem nunca viveu acima das suas possibilidades.

Não posso deixar de realçar o esforço financeiro a que o Ministério que Vossa Excelência ministra faz para pôr em execução esta louvável iniciativa. Decerto, e nem me passa pela cabeça outra hipótese, todos os carros sorteados e a sortear são pagos pelo Erário, o que envolve grande esforço financeiro, mesmo tendo em conta que os impostos respectivos “ficam em casa”.
Vossa Excelência poderia, eventualmente ter optado por um prémio de crédito para isenção de impostos no valor correspondente a 50 salários mínimos, o que tiraria dos ombros dos mais pobres durante muitos anos, um pesado encargo, com a alternativa, para desempregados, do pagamento, durante 50 meses de um salário mínimo. Mas em lugar de pieguices, Vossa Excelência, decerto com o apoio de Sua Excelência o Primeiro-ministro, pessoa com igual visão e conhecimento das necessidades dos cidadãos, decidiu, e bem,seguir esta via audaciosa e inovadora
Na pessoa de Vossa Excelência quero, por fim deixar um sincero voto, para todos os membros deste inefável Governo: QUE TENHAM A PAGA JUSTA PELO QUE TÊM FEITO POR PORTUGAL!

Mui respeitosamente,

Setúbal, 27 de Junho de 2014
Paulo Eusébio  


(Este blogue está escrito em Português, Norma de Portugal.)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

MUDANÇA


«Quem está mal, muda-se!», reza um aforismo, que ouvimos constantemente.
Muitos milhares de portugueses, nos últimos anos têm seguido essa sentença, mudando-se, de armas e bagagens, para outros países em busca de condições de sobrevivência que vêem negadas no seu. Muitos sentiram-se aconselhados a fazê-lo, quando o Governo, em quem votaram com a promessa de solucionar as dificuldades económicas, criadas pela banca, a nível mundial, em lugar de tomar as medidas adequadas contra os especuladores e vigaristas, rasgou todas as promessas e agravou exponencialmente a situação difícil em que nos encontrávamos. E fê-lo, cinicamente, acusando-nos de estarmos a viver acima das nossas possibilidades. Não houve bicho-careta entre os iluminados que peroram sobre matéria económica, sem entenderem minimamente de que realidade se ocupam, nas nossas rádios e televisões e escrevinham nos jornais, alguns pagos muito acima da qualidade do seu trabalho, que não secundasse a falsidade posta a circular. Carreiras, Ferreiras e quejandos, quais psitacídeos, palravam: «Estamos a viver acima das nossas possibilidades…».
Entretanto, o Governo, sem a menor intenção de resolver qualquer dos problemas com que o País de debatia, enviava o aviso à navegação: quem quiser fugir do desemprego e da miséria decorrente, tem como saída a emigração. Traduzida, a mensagem governativa era esta: «Se não querem ficar mal, como nunca imaginaram, pirem-se, enquanto é tempo!».
Se o conselho fosse seguido até às últimas consequências, em pouco tempo, a população activa transferir-se-ia para outros mercados (finalmente uso uma palavra adorada pelos que detêm o Poder!), enquanto por cá ficariam os velhos, alguns deficientes e os desempregados, que seriam espoliados pelo Fisco até à última moeda.
Com o “terreno” completamente limpo estavam criadas as condições e as portas abertas para a entrada do Capital de qualquer proveniência, sem preocupações de limpeza, pois o capital é geralmente sujo, embora haja umas partes dele mais sujas do que as outras.
Enquanto isso a fome e a doença se encarregariam da parte não produtiva da população que tinha ficado por cá.

Cada vez se difunde mais a ideia de que os políticos são todos iguais, pelo que não vale de nada votarmos. No seguimento, vem o apelo à abstenção, apoiado em mentiras propaladas, como se fossem preceitos legais, que já têm sido alvo de desmentidos e esclarecimento da Comissão Nacional de Eleições, e que eu me dispenso de escrever, não vá alguém ler à pressa e depois dizer que encontrou isso escrito neste blogue, corroborando a atoarda.
Não é com abstenção que se resolve o problema.
A nossa arma é o voto. Tem sido mal usada ou tem ficado no armeiro? Usemo-la, então de forma correcta.
A ninguém, em seu juízo perfeito, passará pela cabeça fazer uso de qualquer arma, sem a conhecer bem, saber o que poderá conseguir com ela e ter a consciência das gravosas consequências do seu uso incorrecto ou inadequado.
O voto é uma arma poderosíssima, quando bem usada.
Com essa arma, dispondo de munições (votos individuais) em quantidade adequada e bem direccionadas, podemos mudar o rumo dos acontecimentos. Com a abstenção reduzida a valores residuais, mostraremos que estamos atentos e prontos a intervir e tomar nas nossas mãos a responsabilidade dos nossos destinos. O voto expresso é o único que conta. Brancos e nulos, na prática, não são votos, são lixo!
Se continuarmos todos o que temos feito (alguns informando-se e votando de acordo com o que, em consciência, lhes pareça melhor para o País; outros, votando no partido ou coligação, como se fosse o seu clube e dessa votação dependesse uma posição no campeonato, e a maioria anulando, branqueando ou não se dando ao trabalho de lá ir) os resultados continuarão semelhantes, aos que nos trouxeram à presente situação.
Conscientes da arma que temos, e sabendo como usá-la só temos que escolher os alvos, apontar e disparar.

O Acto Eleitoral que se aproxima, geralmente é ainda mais desmobilizador do que os outros: Trata-se de eleger o Parlamento Europeu. Muitos dizem que não lhes interessa, porque é gente que, eleita, vai lá para a Europa! Quem assim pensa, ou anda muito distraído ou não faz a menor ideia do Mundo em que vive. Quem legisla sobre as linhas-mestras da nossa jurisdição? A Assembleia da República? Basta estarmos atentos às transposições para os ordenamentos jurídicos dos Estados-Membros da Legislação Europeia, para termos consciência de que prevalece sempre a Legislação de Bruxelas, às das diversas capitais europeias. Os parlamentos nacionais, transpõem as normas europeias para os respectivos estados, enquanto a margem de manobra legislativa de que dispõem fica reduzida a pouco mais que meras iniciativas regulamentares.

Com base nesta reflexão que vos deixo, como votarei?
Não vou obviamente, dizer qual a força política a quem confiarei o meu voto; isso é decisão que só a mim compete e de exclusividade da qual não abro mão.
Vou recordar o comportamento de Governos e Partidos; como chegaram, ou se viram afastados do Poder; que mentiras usaram, que promessas, depois invertidas e negadas, que processos interromperam, o que estando em construção destruíram; se raramente estiveram no Poder, o que defenderam, e foi liminarmente afastado por maiorias declaradas ou de ocasião; quais os complôs que sustentaram uns e eliminaram outros.
Respondidas as questões essenciais, enunciadas acima, veremos que conscientemente é possível concentrar votos no sentido de substituir o aforismo com que abri este texto por outro: Quem consegue mudar o que lhe faz mal, não se muda!

Setúbal, 15 de Maio de 2014
Paulo Eusébio



quarta-feira, 14 de maio de 2014

REENCONTRO




  Suspenso, há mais de 6 meses, este blogue, decidi voltar a nele escrever, destra vez, preferencialmente.
  Um blogue tem, para mim, a grande vantagem de a nossa escrita não se afundar constantemente, diluída nas escritas dos outros utilizadores, como acontece com o         Facebook, a uma velocidade vertiginosa.
   No Facebook só interessa a rama, o superficial, não a raiz nem o âmago. Tudo de ser rápido, à lufa-lufa como nos habituámos a viver nos dias de hoje. Deixou de ser pedido para amanhã; nem para hoje: é tudo para ontem!
   Algo que nos interesse mais tarde a profundar, para uma análise mais substancial é dificílimo de votar a encontrar, perdido no tal afundamento constante no Facebook.
   No blogue tudo é mais calmo e escrito com mais clareza, sem pressões. O único risco é o de uma desatenção provocar um lapso, menos justificável, porque não havia pressa.    Vale a pena correr esse risco, tendo presente que o erro é inerente à nossa natureza. Só não erra quem nada faz!

   Neste momento de reencontro, a todos saúdo e convido à leitura do que aqui trarei, com a variedade desejada num blogue generalista.
   Deixo-vos a fonte de sombra de uma aprazível esplanada de um restaurante que fechou este mês na nossa Cidade e que deixou imensa saudade a quantos desfrutaram deste local, como eu no 1.º de Maio corrente. 


P.S. – Como repararam, continuo a escrever em português ortograficamente correcto. Se me quiserem obrigar a abandonar esta ortografia, passarei a seguir a norma angolana… para Xico-esperto, cidadão inteligente!


Setúbal, 14 de Maio de 2014
Paulo Eusébio


sábado, 7 de setembro de 2013

INCURSÃO PELOS MONTES HERMÍNIOS


Quem, em férias «cá dentro», desviando-se das praias saturadas, vá em busca do Portugal interior, arrisca-se a ter uma série de surpresas, se não tiver quem avise do que poderá encontrar.
A cabeça do Velho observa...

Durante uma semana, em Agosto último, com base no concelho de Gouveia, andei pelos Montes Hermínios. Como Viriato, em caso de emergência, não tinha meio mais eficaz que um valente berro, se necessitasse de socorro para mim, ou para alguém que comigo estivesse e necessitasse de ajuda que eu não lhe pudesse proporcionar. 

Berrar não é o meu forte, até pela minha rouquidão, e, afora isso, fosse a minha voz bem sonora e troante, no meio de uma estrada de reduzido movimento, em local afastado de qualquer habitação, o meu berro não seria ouvido por ninguém.
...os fumos, lá longe.


Perguntar-me-ão: “Porque não levaste o telemóvel contigo? Bastaria ligares o 112 em caso de emergência geral ou o 117, se avistasses qualquer nova coluna de fumo, para além das que ofuscavam o Sol, e te dificultavam a respiração, por obra daqueles que tudo incendeiam, ficando quase sempre impunes, mesmo que detidos e presentes a juízes que lhes aplicaram, como medida de coacção termo de identidade e residência, que que muitas vezes aproveitam para, a caminho dos locais de apresentação periódica, ou já no regresso, lançarem mais umas acendalhas?”.





A Muitos quilómetros de distância, o fumo lançava a sua cortina.
Nos lançamentos dos concursos para atribuição dos alvarás do serviço telefónico móvel – pergunto eu – alguém se lembrou de estabelecer a obrigação de as operadoras a licenciar cobrirem totalmente todo o Território Nacional, dentro de um prazo razoável determinado, findo o qual, não se verificando o cumprimento dessa obrigação, o alvará respectivo fosse cassado?
A pergunta, aparentemente pertinente, não tem em conta que, deslocando-nos em certas zonas do País, por estradas dos Séculos XX ou XXI, mergulhamos no reino das comunicações do Século XIX. Eu levava telemóvel, “dual-sim” com cartões de operadoras diferentes e todos os que comigo viajavam também eram portadores dos seus celulares. Há, no entanto, um pormenor a ter em consideração: não havia rede de nenhum dos operadores! Foi isso que me fez mergulhar nos Montes Hermínios, quando demandei a Serra da Estrela. É isso que acontece em muitas parcelas do «Portugal Profundo», de Norte a Sul!
Alguém impôs aos amigos do costume que cumprissem essa simples obrigação de tornar possível ao assinante - que paga para isso! -  falar, usando o seu telefone de bolso, para quem estivesse noutro qualquer ponto do Território, ou só lhes disseram que, além das chamadas e mensagens possíveis nas áreas que decidissem cobrir, estavam autorizados a usar toda a espécie de estratagemas para sacarem mais algum – resultados de futebol (só para 3 clubes, que os outros não são ninguém, pois não têm numero suficiente de tansos que tornem rentável esse serviço), o tarot da Maya, estreias de cinema, Euromilhões, etc. – ou lançarem-se em novos serviços integrados concorrendo em áreas cujos operadores se alargaram simultaneamente os seus negócios ao telefone móvel?
Nas serras, em muitas Reservas Naturais, o fogo lavrou, extinguindo grande parte da nossa floresta, com consequências dramáticas, além da perda de oito vidas humanas (oito até ao momento em que escrevo), na extinção de ecossistemas, na interrupção de cadeias alimentares, no agravamento de doenças, pela perda de qualidade do ar, e no empobrecimento geral do País já tão agredido por outras vias e diligentes agentes.
O Sol espreitava, envergonhado!
Quem são os criminosos a quem se deve esta destruição pelas chamas?:
Os que, Estado incluído, não limpam nem deixam que lhes limpem as florestas que lhes pertencem ou estão confiadas? 
Os que por adorarem o espectáculo, lançam fogos simultâneos em diversos pontos? 
Os que, por interesses imobiliários, mandam queimar áreas, onde, fintando a Lei, irão construir mais tarde? 
Os que, pagos por estes últimos, incendeiam as citadas áreas? 
Os que se aproveitam dos baixos preços da madeira ardida, abatida em consequência de fogos que mandaram incendiar, aumentando os seus lucros por essa via? 
Os que, por uma qualquer vingança ateiam fogos? 
Os que…?

E não seria também de incluir entre os criminosos os que operando apenas com os olhos na maximização do lucro, só disponibilizam o serviço de cobertura celular nacional apenas onde ele é rentável, pelo potencial número de assinantes por hectare, mergulhando o resto de Território numa mancha negra de silêncio?;
Os que por negligência contratual, permitem que isso aconteça?;
Por último, os que desculpando-se com mil e um argumentos vão reduzindo paulatinamente Serviços Públicos, material e humanamente, tornando o Estado em mero agente de extorsão?

Deixo estas perguntas a quem me ler, como base de meditação e busca de soluções para impor aos responsáveis políticos que tão cegos e surdos têm andado, excepto, para o que convém aos interesses próprios e aos dos seus dilectos amigos, que finalmente cumpram os mandatos para os quais os elegemos e para para cujo cumprimento lhes pagamos ( muito mais do quem têm demonstrado merecer).

Setúbal, 7 de Setembro de 2013
Paulo Eusébio


ESTE TEXTO FOI ESCRITO EM PORTUGUÊS, EM VIRTUDE DE O AUTOR NÃO PACTUAR COM A DESTRUIÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA QUE TEIMOSAMENTE TÊM PROSSEGUIDO, ESCUDADOS NUM "ACORDO" ILEGÍTIMO E INEXISTENTE.